Para André
Nasceu e logo fora cercado dos olhares que gritavam que "ele não era mais um, não era qualquer um". E percebiam os olhares que ele carregava uma cruz, mas que também tinha espada afiada. Usava a espada e mostrava-se de fato. Era a mente espada que vez ou outra saía a cortar palavras e imagens (psssssiu! também cortara corações). Gostava de desenho e de desenhar. Gostava de imagem e de imaginar. Era a criança que a vida adoçou sem guloseimas. Era a criança que não poderia crescer. Mas cresceu. Cresceu, meu Deus. Ele cresceu. E sua alma de criança esticava. O coração crescia também. E, grande, quis ser grande. E, grande, quis viver como grande. E quis estudar - estudou -, trabalhar - trabalhou -, amar - amou. Mas 'inda não se sentia grande. Ele era tão maior que ele. Sozinho, noutro momento, noutra vida, que poderia ser leve, aindaquetriste, percebeu então que não podia ser grande. E então se viu criança. E então quis as guloseimas. E então que já era doce, já era doce - que seja doce, Caio Fernando! Deixe o menino ser doce. Mas, criança que era, em corpo grande, em mundo grande, em vida que podia ser grande, desaprendeu a segurar a cruz ao mesmo tempo em que manejava a espada. A cruz tornou-se insuportável. E insuportável era o mundo grande para a criança pequena grande. E era também amargo o mundo do garoto doce.
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Eu já beijei o garoto doce - foi sem querer, e era doce.
Já lhe fiz trança nos cabelos outrora grandes, grandes como ele queria ser.
Eu abracei e dei colo ao menino, que retribuiu com desenhos e carinhos.
1 aromas:
Bela homenagem ao caríssimo André.
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